Este foi o primeiro trabalho realizado na Pós Graduação em Enfermagem do trabalho. Pelo simbolismo que  representou, pelo ponto de partida deste percurso, merece ser incluido no meu Portfólio.

Que realidade após 100 anos de Frederick Taylor?

A apresentação na aula de enfermagem do trabalho de uma fotografia do filme Tempos Modernos, evidenciando o aumento a produtividade apenas na realização de uma única tarefa repetidamente, recordou – me um filme da série Napo divulgado há alguns anos pela Agência Europeia para a Segurança e a Saúde no Trabalho  (EU-OSHA).

Esta associação entre o filme tempos modernos e o filme Napo levou-me a questionar qual a realidade passados 100 anos so bre o início da aplicação da teoria taylorista em que produção artesanal foi substituída pela produção em série.

Em ambos os filmes (apesar de quase um seculo a separá-los) evidencia-se que esta organização do trabalho com cargas físicas exageradas; movimentos repetitivos, condições inadequadas de trabalho e sem grande preocupação com as limitações do ser humano, nem com consequências param a saúde física e psicológica do trabalhador.

O mais chocante é que o filme da serie Napo, revela que os constrangimentos trazidos pela linha de montagem mantêm-se válidos. Embora numa abordagem positiva destacando os prejuízos para a saúde dos trabalhadores, o filme Napo retrata no final a posição da indústria sobre esta forma de organização do trabalho. A forma de resolver o problema é substituir o trabalhador!

Percebe-se assim, que esta realidade não é tão diferente de há 100 anos e continua até os dias de hoje. Apesar da introdução de novas tecnologias para eliminar tarefas penosas ou pesadas, criaram-se novos riscos para a saúde dos trabalhadores, porque se mantêm as bases do processo de organização do trabalho, voltado para a produção em massa como resposta à competitividade global. A imposição de cargas e ritmos de trabalho exigentes levam inevitavelmente ao aumento dos fatores dos riscos para a saúde do trabalhador e por conseguinte à diminuição da qualidade de vida do trabalhador.

A visão de que o trabalhador é apenas um elemento necessário (e muitas vezes substituível) ao processo produtivo permanece apesar das melhorias com as conquistas de direitos para os trabalhadores nomeadamente em matéria de saúde pela introdução dos Serviços de higiene e segurança no trabalho nas empresas.

Mudar esta realidade não é fácil, pelo que atingir um ponto de equilíbrio entre os objetivos das organizações e a manutenção um local de trabalho mais seguro e saudável deve ser um trabalho multidisciplinar. Por isso que defendo que neste campo, as organizações deveriam constituir equipas multidisciplinares (engenharia, ergonomia, segurança, medicina do trabalho, enfermagem do trabalho), para analisar novos projetos de linhas de montagem, novos métodos ou processos de trabalho visando a prevenção dos riscos e introduzir as medidas de proteção para sua redução ou neutralização.

Atingir este objetivo é por um lado ter ganhos em saúde com trabalhadores satisfeitos e motivados e consequentemente com ganhos de produtividade organizações profissionais.

Estes dois filmes retratam assim uma mesma realidade, mas com uma diferença de 100 anos! Evidenciam que é necessária mudança, para a qual todos devemos contribuir.

Pela chamada de atenção que estes dois filmes fazem para a necessidade de intervenção (não esquecendo a contribuição que enquanto enfermeiros do trabalho devemos dar) e pelo impacto teve a nível pessoal decidi inclui-lo meu portefólio e torna-lo ponto de partida do meu percurso de aprendizagem na Pós graduação em enfermagem do trabalho enquanto agente de mudança.

26- 09-2015